Einstein Era Um Monstro Racista? - Parte 1

Einstein Era Um Monstro Racista? - Parte 1

O Truque Retórico Que Fez Einstein Parecer Um Monstro.

A imagem de Albert Einstein foi cristalizada como o arquétipo do gênio humanitário — o homem que fugiu do nazismo e defendeu os direitos civis. Ainda assim, nos últimos anos, manchetes e comentaristas passaram a vender uma tese brutal: em sua intimidade, Einstein teria abrigado um racismo vil. Isso não surgiu do nada. Por trás dessa virada há um truque retórico: uma engenharia de recortes, traduções e inferências conduzida por um historiador PhD internacionalmente reconhecido — um truque bem executado o bastante para transformar um personagem histórico em caricatura moral.

Esse tema entrou na minha investigação por acaso. A análise nasceu de uma conversa acalorada com um amigo, jornalista aposentado de renome nacional (que aqui chamarei Jones). Ele afirmava, com convicção absoluta: “Einstein era um racista”, com base na viagem à América do Sul em 1925. Em seguida, apresentou “provas” que pareciam incontestáveis: Einstein teria chamado brasileiros de macacos, desprezado a miscigenação e amado o Uruguai apenas por ser “branco”.

Diante de acusações que contrariavam tudo o que eu sabia sobre o físico alemão, decidi não aceitar a narrativa mastigada por jornais. Fui às fontes primárias. O que encontrei nos diários originais não foi apenas uma defesa de Einstein, mas a exposição de uma sucessão de erros grotescos de interpretação, falhas de tradução e manipulações históricas.

O Que Eles Não Contaram (O Resumo da Análise) Se você acredita nas manchetes recentes, prepare-se. A leitura atenta dos documentos originais (os diários de viagem) revela fatos que a narrativa sensacionalista optou por esconder ou distorcer:

  • O "Macaco" Branco: A principal "prova" de racismo — o uso do termo "Affe" (macaco) — cai por terra quando descobrimos quem era o alvo. Einstein usou o termo para descrever Aloysio de Castro, um médico branco da elite brasileira. Isso indica que o insulto era comportamental (sobre vaidade e tolice), e não racial biológico.
  • A Mentira sobre a "Branquitude": Ao contrário do que dizem, Einstein desprezou as "brancas e europeias" Buenos Aires e Nova Iorque, chamando suas elites de fúteis. Em contrapartida, ele elogiou explicitamente a "deliciosa mistura étnica" do Rio de Janeiro e teceu elogios no Uruguai a um filósofo negro/mestiço, com quem, mais tarde, trocou cartas amigáveis.
  • A Fabricação Histórica e Midiática: A auditoria revelou um colapso de rigor. De um lado, o jornal O Globo recortou frases ignorando pontuações vitais para fabricar um insulto. De outro, o historiador responsável pelos livros acusatórios, Ze'ev Rosenkranz, foi ainda mais longe: alterou a cronologia dos fatos, fundindo eventos distintos para criar uma cena de desprezo aos argentinos que o diário original desmente. 

O Objetivo Desta Leitura Este artigo não é uma defesa cega, mas uma análise apodíctica (demonstrável e necessária). Nas próximas linhas, vou dissecar as acusações de Jones e do historiador Ze'ev Rosenkranz, confrontando-as linha a linha com os manuscritos originais.

A pergunta "Einstein era racista?" exige uma resposta baseada na verdade das evidências, não na conveniência das polêmicas. O que segue é a prova de como a falta de rigor analítico pode transformar um gênio rabugento em um monstro que ele nunca foi.

1. Definição Rigorosa dos Termos

1.1 Racismo

Atos ou crenças discriminatórias ou de negação de paridade motivadas pela atribuição falaciosa de desigualdade de valor ou de direito a diferenças etno-fenotípicas.

2. Problema

Identificar a resposta com maior probabilidade de ser uma representação adequada da realidade para a questão: Einstein era racista?

3. Proposições

A hipótese analisada baseia-se nas seguintes proposiçòes apresentadas presencialmente por Jones:

3.1.1 Einstein era racista

3.1.1.1 Einstein gostou muito do Uruguai por ser um país branco e racista.

3.1.1.2 Einstein demonstrou desprezo pelo Brasil, por conta da miscigenação e da negritude. Preconceituoso exatamente como um judeu sioni-sta.

3.1.1.3 Diversos jornais da época (1925) noticiavam Einstein enunciando falas racistas em múltiplas regiões do Brasil. (Nota: Jones teria lido estes registros diretamente).

3.1.1.4 Uma matéria jornalística atual (BBC/2018) seria suficiente para dar uma pista de fontes primárias.

Também analisarei algumas polêmicas hipóteses apresentada por Ze'ev Rosenkranz, o Historiador e Arquivologista, escritor do Livro “The Travel Diaries of Albert Einstein: South America, 1925”. Esta foi a obra usada como fonte por jornais e portais para divulgar as acusações de racismo.

3.1.1.4 Por impacto de imagens alemãs e européias relacionadas à Argentina, Einstein atacou a integridade moral dos argentinos repetidamente, usando termos como sórdido “sórdido” (unsauber) e “gentalha” (Gesindel).

3.1.1.4.1 As descrições de Einstein sobre os Argentinos como "Sórdidos" e "Gentalha repulsiva" parecem ser mais biológicas que meramente culturais.

3.1.1.4.2 Einstein percebe os Argentinos como estúpidos e intelectualmente inferiores por questões biológicas.

3.1.1.5.1 Einstein foi condescendente em relação à população local, por dizer “Aqui sou uma espécie de elefante branco para eles, e eles são macacos para mim”.

3.1.1.5.2 Há uma tendência de desumanizar o povo brasileiro (por parte de Einstein) que se reflete em sua visão dos locais como macacos.

4. Análise das Proposições

4.1 Análise das proposições de Jones

4.1.1 Análise de consistência das premissas teóricas 3.1.1.1 e 3.1.1.2

O Fato: Einstein desprezou Buenos Aires e Nova Iorque muito mais do que o Rio. Ambas eram cidades de maioria branca esmagadora, mas marcadas por uma cultura de ostentação elitista.

A Contradição: Se a premissa 3.1.1.1 fosse verdadeira (amar o Uruguai pela branquitude), ele deveria preferir a "branca e europeia" Buenos Aires. Ao odiar a arrogância portenha e amar a modéstia uruguaia, isso corrobora fortemente que seu critério era comportamental (humildade vs. vaidade) e não racial.

O Contexto (A Evidência):

As considerações de Einstein foram muito mais sobre as cidades específicas do que sobre os países. É crucial entender a cronologia: ele visitou a Argentina depois de Nova Iorque (cidade que ele detestou).

Ele comparava Buenos Aires com Nova Iorque [8], notando que as pessoas em ambas pareciam se importar apenas com dinheiro, roupas, cinismo e frivolidades, sem apreço pela intelectualidade. Ele registrou sentir-se em um "circo", cercado de gente "repulsiva e sem alma". Em Buenos Aires, ele criticou inclusive os judeus e a intromissão da Igreja no Estado [1]. 

Na sequência, viajou para Montevidéu. Lá, escreveu que era um país com instituições modelares (Einstein explica o motivo: “proteção a mães e crianças, atenção a idosos e filhos ilegítimos, jornada de 8 horas, dia de descanso”). Um ponto relevante que refuta a premissa 3.1.1.1: no Uruguai, a pessoa que ele mais elogiou no diário foi justamente um negro/mestiço, o filósofo Carlos Vaz Ferreira. Ele descreveu os uruguaios como "humanos, modestos e naturais".

Depois, foi ao Rio de Janeiro. Embora tenha sofrido com o calor e achado as perguntas científicas tolas, ele elogiou explicitamente a miscigenação, descrevendo-a como uma "deliciosa mistura étnica", citando a presença de índios, negros e mestiços. Isso enfraquece drasticamente a premissa 3.1.1.2 (aversão à negritude). 

4.1.2 Análise complementar da premissa teórica 3.1.1.2 (Uso de termos racistas)

O Fato: Einstein utilizou o termo "Affe" (Macaco) para descrever Aloysio de Castro (um homem branco da elite baiana), bem como para descrever grupos em situações de barulho e pompa ("macacos de terno"). Não há indícios no diário de ele ter usado este termo especificamente para atacar um indivíduo negro.

A Contradição: Se "macaco" fosse uma ofensa racial direcionada a negros (validando a premissa 3.1.1.2), seria logicamente incoerente ele aplicá-lo a um indivíduo branco e não o aplicar especificamente a negros. O uso do termo contra um branco coloca em xeque a hipótese racial e reforça que o alvo da crítica era o comportamento (vaidade, tolice), alinhando-se à etimologia alemã de Affe (tolo vaidoso).

O Contexto Detalhado:

O mais próximo que Einstein chegou de ofender brasileiros foi num evento barulhento onde disse: "Eles me veem como um elefante branco, eu os vejo como macacos de terno". O sentido ali era de barulho e estupidez, não de raça. (Nota: Eu mesmo já usei termos como "chimpanzés" para descrever comportamentos irracionais de torcidas, independente da cor, referindo-me à falta de intelecto). Além disso, não foi uma fala sobre o povo brasileiro, mas muito especificamente sobre as pessoas presentes, por suas características comportamentais específicas [2]. Generalizar a fala para todo povo brasileiro é, por óbvio, uma falácia de generalização indevida.

A Evidência Central ocorre no almoço na casa de Aloysio de Castro.

  1. Aloysio era branco, elite, de família possivelmente beneficiada pela escravidão.
  2. Einstein chamou Aloysio de "macaco" (Affe).
  3. O Erro do jornal O Globo (Possível Fonte de Jones): O grande jornal O Globo ignorou a pontuação do diário e fez um recorte inadequado do texto original em alemão. Einstein escreveu que Aloysio era um macaco, mas que a companhia (dos outros presentes) era interessante. O Globo recortou indevidamente o texto, de modo a fabricar uma interpretação diferente: como se Einstein tivesse gostado de Aloysio, apesar dele ser um macaco - o que aumentaria a probabilidade de ser uma afirmação racista. 
  4. Conclusão: Einstein usa "Affe" como "bobo da corte" ou "tolo vaidoso". Isso casa com a rejeição dele à pompa de NY e BA.
  5. Exemplo Moderno: 3 dias atrás eu e Olívia assistíamos à série Suits, quando o personagem negro (Malone) chamou o branco (Louis Litt) de "macaco de terno". A ofensa era muito provavelmente sobre a postura ridícula e caricata, não sobre a biologia. Provavelmente, neste caso, era uma referência relacionada à expressão "Why talk to the monkey when you can talk to the organ grinder?". Claramente este caso reforça que (até a atualidade) existem outros usos da expressão "macaco", para além do uso racista.

Considero válida ainda a complementação de que, no dia 26 de Março de 1925, ainda em Buenos Aires (após ter feito uma parada técnica de algumas horas no Rio de Janeiro e verbalizado gostar da miscigenação), Einstein enviou uma carta para Elsa e Margot dizendo: “Buenos [Aires] é uma cidade árida do ponto de vista do romantismo e da intelectualidade. Mas estou encantado com o Rio”. Isto indica que o incomodo dele não estava nos negros, índios ou brasileiros, mas na elite financeira e academica superficial (de acordo com avaliações dele) com quem conviveu.

4.1.3 Análise de consistência da premissa teórica 3.1.1.3 (Jornais de 1925)

Sobre a Memória dos Jornais:

A afirmação da premissa 3.1.1.3 (que você leu jornais de 1925 relatando racismo em "múltiplas regiões") possui uma probabilidade de veracidade que tende a zero, pois:

  1. Einstein só viajou (dentro do Brasil) para o Rio de Janeiro, não visitou múltiplas regiões.
  2. Os diários eram privados e seu conteúdo "polêmico" só veio a público em 2018.
  3. Usando de Caridade Hermenêutica, concluo que você provavelmente leu matérias recentes (pós-2018) e sua memória projetou essa informação para o passado. Defender uma conclusão grave sem ter acessado os documentos primários é um erro metodológico fundamental.

4.1.4 Análise de consistência da premissa teórica 3.1.1.4 (Matéria BBC)

Sobre as Fontes Atuais:

Esta não é uma fonte primária. É uma fonte de Nível 3 (Jornal) baseada numa fonte de Nível 2 (Livro de Ze'ev) que contém um erro comprovado de recorte e interpretação da fonte de Nível 1 (O Diário).

O próprio Ze'ev admite discrepância entre as falas públicas e privadas. Portanto, não existem registros públicos de racismo em jornais da época. Basear-se nessas matérias sem checar a origem (o erro de interpretação da pontuação sobre o Aloysio) invalida a conclusão da premissa 3.1.1.4.

4.1.5 Conclusão e Reflexão Sobre As Afirmações de Jones

As evidências primárias, contidas nos diários de viagem à América do Sul, não autorizam a conclusão de racismo. Elas apontam consistentemente para um padrão: Einstein desprezava a vaidade, o desdém ou ignorância pela cultura local e a baixa intelectualidade arrogante (seja em brancos de Nova Iorque, Portenho de tendências parisienses, aristocratas brancos da Bahia), mas reverenciava o intelecto e a modéstia (seja em europeus ou no filósofo negro/mestiço uruguaio). 

“Uma marca infalível do amor pela verdade é não acreditar em nenhuma proposição com maior certeza do que aquela que as evidências autorizam.” — John Locke

Uma nota pessoal sobre o método:

Meu processo é sempre aproximadamente este. É natural, é um processo científico e é como minha cabeça funciona. Ou, como diz minha esposa: "Bibiano não questiona e analisa profundamente as religiões porque é ateu, ele faz isso porque analisa profundamente tudo. É como ele vê o mundo todo".

No item 4.1.3 (ao analisar sua teorização 3.1.1.3), Jones fez afirmações veementes com probabilidade de veracidade que tende a zero. Eu poderia ter concluído, apressadamente, que ele estava mentindo de modo deliberado para defender suas ideias ou que não tem compromisso com a verdade.

Eu não fiz isso. Seria, pra começo de conversa, non sequitur (não quer dizer que ele não tenha mentido deliberadamente, mas certamente quer dizer que as informações que eu tinha não autorizavam necessariamente esta conclusão).

Então, pelo contrário, apliquei Caridade Hermenêutica: assumi que sua intenção era provavelmente honesta e que, provavelmente, houve apenas uma confusão de memória ou acesso a fontes ruins. Eu busquei a interpretação da sua fala com maior probabilidade de ser aquela que você de fato tinha por intenção.

A ironia é que os autores que ele leu fizeram exatamente o oposto com Einstein: eles não aplicaram caridade nenhuma. Eles pegaram frases soltas, ignoraram pontuações, ignoraram contextos (como o elogio aos negros e a crítica aos brancos) e correram para a conclusão mais perversa possível. Se eu tivesse usado com ele o mesmo "método" que essas pessoas usaram com Einstein, eu o teria rotulado de mentiroso. Como usei um processo científico, pude ver que ele provavelmente é apenas alguém que foi mal informado por fontes ruins. Espero que possamos lidar com todas as situações e pessoas usando o mesmo amor pela verdade e o mesmo interesse por uma avaliação justa e não demasiada apressada.

4.2 Análise das afirmações de Ze'ev Rosenkranz

4.2.1 Análise das afirmações 3.1.1.4, 3.1.1.4.1 e 3.1.1.4.2

4.2.1.1 Nos diário, durante a viagem pela América do Sul, Einstein só usou os termos Gentalha (Gesindel) e Sórdidos no dia 24 de Março de 1925. O contexto dado por Ze’ev aponta:

“Após uma breve parada no Rio de Janeiro, o navio chega a Montevidéu e Einstein é recebido por um pequeno grupo de acadêmicos argentinos que o acompanham na passagem do rio da Prata até Buenos Aires. Sua reação, com uma exceção notável, não é favorável: ‘Jornalistas e judeus variados, entre eles Nierenstein, secretário da universidade. Ele é boa pessoa, resignado a seu destino, mas os outros são mais ou menos sórdidos.’ Após certo atraso, o navio chega a Buenos Aires no dia seguinte. A visita de Einstein não tem um bom começo: ‘Estou meio morto em função dessa gentalha repulsiva`.”

O problema é que, no diário de Einstein contendo o trecho mencionado pelo historiador, diz: 

“24 Montevidéu ao meio-dia. Jornalistas e judeus variados, entre eles Nierenstein, secretário da universidade. Ele é boa pessoa, resignado a seu destino, mas os outros são mais ou menos sórdidos.

O navio deveria chegar a Buenos Aires às 17 horas, mas encalhou às 11 horas, então a chegada foi às 2h30. Estou meio morto em função dessa gentalha repulsiva. A sra. Jerusalem e todos os comissários (stewards) me cercam. 7 horas, recomeça a dança a bordo do navio. 8h30, desembarcamos.31 Nierenstein ajuda. De carro até os Wassermann.32 Paz, finalmente; completamente exausto. Amável e alegre”

O termo “sórdidos” se referia claramente a “Jornalistas e Judeus”, com exceção do secretário Nierenstein, indicando que provavelmente não era uma avaliação sobre “argentinos” (de modo generalizável), mas sobre aqueles acadêmicos específicos. Dias mais tarde, já na Argentina, Einstein deixa claro que vê a maior parte dos acadêmicos argentinos como superficiais e frívolos, com exceção dos jovens, que se mostravam interessados verdadeiramente nos tópicos científicos e não no circo social - o que indica que o padrão estava na avaliação sobre os interesses intelectuais e modos de convivência, não no “povo argentino”[2]. Uma falácia de generalização indevida por parte do historiador.

Apesar de terem alguns argentinos no navio, eles eram, segundo Zeèv, acadêmicos, e a expressão “gentalha” está claramente relacionada a Sra Jerusalém (uma escritora austríaca-judia) e aos comissários do navio alemão (portanto, com alto grau de certeza de serem também alemães). Também parece-me improvável que acadêmicos argentinos o cercariam pela madrugada, em um navio encalhado - e que ele referiria aos acadêmicos como comissários.

A gravidade aqui está no fato de que, ao escrever sua análise, Zeev apresenta uma narrativa sequencial falsa de:

  1. Einstein encontra judeus/acadêmicos argentinos (Nierenstein).
  2. Einstein os acha "sórdidos".
  3. O navio chega (com atraso).
  4. Einstein chama o grupo de "gentalha repulsiva".

Zeev finaliza a citação em "Estou meio morto em função dessa gentalha repulsiva.". A citação, porém, para ser compreendida precisa continuar: "Estou meio morto em função dessa gentalha repulsiva. A Sra. Jerusalem e todos os Stewards estão me cerceando/assistindo." O historiador deturpou o trecho, a lógica e o sentido do registro. É uma deturpação factual gravíssima que coloca frontalmente em cheque a credibilidade do escritor.

Esta também é a base de fundamentação da afirmação 3.1.1.4.2 de Zeev (questões biológicas). O que, além de ser uma falácia non sequitur, é uma falácia fundamentada em uma deturpação factual.

4.2.2 Análise das Afirmações 3.1.1.5.1 e 3.1.1.5.2

Considero que já analisei suficientemente ambas as afirmações no tópico 4.1.2 deste artigo. Agora, então, apenas trago uma reflexão sobre o potencial de deturpação das informações originais e a necessidade de verificação das fontes primárias antes de desenvolver conclusões próprias. O historiador, além de incorrer em diferenças falácias (das quais, analise aqui apenas algumas mais gritantes), fabricou uma sequência factual irreal. Após isto, centenas de portais divulgaram suas conclusões exacerbadas pelo mundo. No Brasil, um dos maiores portais de notícias (O Globo) colaborou fabricando ainda deturpações interpretativas flagrantes - e até mesmo a Instituição Cientifica vinculada ao Ministério da Saúde, Fiocruz seguiu o fluxo de desinformação. 

Até a publicação deste artigo, não encontrei nenhum portal que tenha feito qualquer verificação razoável sobre este tema.

Conclusão

Ao imergir nos diários e cartas de 1925, é imperativo lembrar: não analisamos uma abstração, mas um ser humano. Um homem sujeito a variações de humor, nem sempre racionais, e vulnerável ao impacto sensorial de um mundo novo.

Um padrão curioso emerge: a correlação entre o desconforto físico e a irritabilidade. Einstein queixou-se repetidamente do calor, e é plausível que essa variável "sutil e humana" tenha colorido sua percepção. Talvez não seja mera coincidência que o mês de abril uruguaio — ameno e tranquilo — tenha encontrado um Einstein mais bem-humorado do que o março portenho ou o maio carioca. Não posso, com rigor razoável, isolar essa variável para confirmar a hipótese, afinal, há outros fatores concorrentes, como o "circo social" que ele tanto abominava e que foi muito mais intenso no Brasil e na Argentina.

Embora eu não possa garantir a inexistência absoluta de qualquer viés em sua psique — pois a ausência de evidência não é evidência de ausência —, posso e devo afirmar o que os dados mostram: os documentos primários não autorizam a acusação de racismo. O que vemos nas manchetes sensacionalistas é uma exploração comercial da polêmica, fundamentada em deturpações flagrantes.

Essa constatação, inclusive, lança uma sombra inevitável sobre outras acusações. Dado que Ze'ev e os jornais são as mesmas fontes que apontam xenofobia no Oriente, considero que a "árvore envenenada" tem alta probabilidade de produzir mais frutos envenenados. Se fabricaram racismo no Brasil através de manipulação cronológica, a credibilidade para as acusações no Oriente é baixíssima — razão pela qual temo que auditar o trabalho de Ze'ev nos diários orientais não valha o tempo despendido. E, até onde essas evidências alcançam, a biografia de Einstein permanece a de um gênio humanitário, majoritariamente coerente.

Um convite à autonomia intelectual

A você que chegou até aqui: para garantir uma avaliação justa, não aceite a minha palavra. Convido-o a ler a seleção dos registros originais que compilei abaixo, organizados por padrões de repetição.

Por fim, exercite a mais simples disciplina intelectual: a suspensão do juízo. Ao contrário do que o ruído moderno exige, há uma maturidade bastante sofisticada na capacidade de manter temas complexos em um "espaço mental neutro", resistindo à compulsão de converter cada informação incompleta em uma sentença definitiva. Mas, se decidir sair da neutralidade e julgar — seja Einstein, seja um vizinho, ou um assunto seu —, aja como um genuíno amante da verdade: ignore o ruído, busque as fontes primárias e analise a realidade com toda a profundidade que for capaz de exercer.

Após a análise de cada propositura e a exposição de cada fio invisível, resta apenas uma pergunta: Passou ou não passou no Crivo Apodíctico?

Não passou.

[1] O padrão de se sentir-se em um circo social em 6 datas, durante a estadia na Argentina e no Brasil: 24/03, 26/03, 12/04, 13/04, 05/05, 06/05;

[2] O padrão de desinteresse e incômodo com barulho, circo social, superficialidade e culto a dinheiro/aparência aparece em 16 datas: 06/03, 08/03, 24/03, 26/03, 29/03, 12/04, 13/04, 14/04, 17/04, 30/04, 03/05, 05/05, 06/05, 07/05, 08/05, 09/05;

[3] O padrão de interesse e agrado por paisagens, silêncio, tranquilidade, paz e pessoas verdadeiramente interessadas em tópicos científicos aparece em 11 datas: 22/03, 26/03, 28/03, 29/03, 02/04, 08/04, 24/04, 26/04, 27/04, 02/05, 03/05, 09/05;

[4] O padrão de interesse por quem valoriza cultura e história local; amor pelo “solo” aparece em 3 datas: 26/03, 26/04, 07/05;

[5] O padrão de sofrer com o calor e valorizar situações climaticamente amenas aparece em 5 datas: 26/04, 02/05, 03/05, 04/05, 06/05, 08/05;

[6] O padrão de sentir-se ser transformado em espetáculo + preferência por países pequenos e gente modesta/natural aparece em 10 datas: 26/03, 17/04, 24/04, 26/04, 27/04, 28/04, 03/05, 06/05, 09/05, 05/05;

[7] O padrão de indisposições e críticas contra alemães e judeus sob critérios semelhantes aos usados com outros povos aparece em 7 datas: 24/03, 13/04 17/04, 21/04, 02/05, 05/05, 09/05;

[8] As comparações diretas entre Nova Iorque e Buenos Aires aparece data: 26/03.

Lista dos Registros Diários e Cartas Citadas:

06/03 – a bordo do navio Cap Polonio, viajando Hamburgo → Buenos Aires (trecho passando por Boulogne-sur-Mer, França).

“Porto de Boulogne. O tempo continua encoberto, mas o ar já está mais cálido. Novos passageiros, na maioria sul-americanos, tagarelando e embonecados. Vapor no porto faz elegante manobra de despedida. A cidade nos saúda através da névoa. Conheci o professor Jesinghaus (psicólogo), que se senta perto de mim durante as refeições. Quieto e cavalheiresco, também muito culto. Entre as refeições, fico sozinho e muito confortável. A viagem ainda levará algum tempo, graças a Deus, mas já temo a chegada.”

08/03 – a bordo do Cap Polonio, rota Hamburgo → Buenos Aires (parada em Bilbao, Espanha).“Primeiro sol forte. Por volta das 11 horas, nos aproximamos de Bilbao. Mar azul-esverdeado, litoral com colinas primeiro prateadas, depois recobertas da brilhante luz do sol. Muitas pessoas inquisitivas subiram a bordo. Inquisitivas no sentido espanhol, não exaustas nem blasées, infantis, autoconfiantes, as mulheres com cabelos e olhos pretos e mantilhas de renda na cabeça. Grato, aproveito o sol no deque superior. Conheço a sra. Jerusalem. Indomada como uma pantera. Às 21 horas, toco piano para crianças e mulheres. Perseguido por duas mulheres suábias que provavelmente só queriam ouvir. Deve ter sido um espetáculo engraçado me ver fugindo.”

22/03Rio de Janeiro, Brasil (primeira passagem rápida pelo Brasil).“Ontem, no Rio, o rabino e mais alguém, além de engenheiros e médicos, buscaram-me no navio.28 Mais cedo, entre 5h30 e 7 horas, entrada no porto. Céu encoberto e chuva leve, mas impressão majestosa de despenhadeiros gigantescos e bizarros. Companhia muito calorosa e agradável. O jardim botânico, na verdade, o mundo vegetal em geral supera os sonhos de As mil e uma noites.29 Tudo vive e prospera, por assim dizer, diante de nossos olhos. A miscelânia de povos nas ruas é deliciosa. Portugueses, índios, negros e tudo no meio, de modo vegetal e instintivo, dominado pelo calor. Experiência maravilhosa. Indescritível abundância de impressões”

24/03 – a bordo do Cap Polonio, vindo de Montevidéu → Buenos Aires (parada em Montevidéu pela manhã, chegada a Buenos Aires à tarde).

“Montevidéu ao meio-dia. Jornalistas e judeus variados, entre eles Nierenstein, secretário da universidade. Ele é boa pessoa, resignado a seu destino, mas os outros são mais ou menos sórdidos.

O navio deveria chegar a Buenos Aires às 17 horas, mas encalhou às 11 horas, então a chegada foi às 2h30. Estou meio morto em função dessa gentalha repulsiva. A sra. Jerusalem e todos os comissários me cercam. 7 horas, recomeça a dança a bordo do navio. 8h30, desembarcamos.31 Nierenstein ajuda. De carro até os Wassermann.32 Paz, finalmente; completamente exausto. Amável e alegre”

26/03Buenos Aires, Argentina.“NO DIA 26, uma multidão de jornalistas e fotógrafos. Por volta das 12 horas, fomos de carro à cidade e à feira. Nova York atenuada pelo sul. À tarde, deão de La Plata, homúnculo pequenino com esposinha análoga,36 e delegação de judeus. Os últimos querem me “celebrar” em uma reunião em massa. Mas, como estou farto de Nova York, neguei resolutamente. Somente reunião com delegações permanece. Noite com a família. A sra. Jerusalem interpreta com muita espirituosidade e intelecto, mas hilaridade forçada.”

CARTA PARA ELSA E MARGOT EINSTEIN

“Estou hospedado com uma família muito agradável e sou protegido contra todas as intrusões. O cronograma é imensamente corrido, mas me sinto forte e indiferente às pessoas. Porque o que estou fazendo aqui provavelmente é pouco mais que uma comédia. Buenos [Aires] é uma cidade árida do ponto de vista do romantismo e da intelectualidade. Mas estou encantado com o Rio.”

28/03Buenos Aires, Argentina.

“Primeira aula em salão superlotado com calor escaldante. Os jovens são sempre agradáveis, porque estão interessados nos tópicos. Agradável ministro da Educação também estava lá.40 Muitas visitas insignificantes, mas toleráveis.”

29/03Buenos Aires, Argentina.“Domingo chuvoso em abençoada paz, sozinho em meu quarto durante a manhã. É preciso muita inquietação externa para se sentir abençoado pelo silêncio. Minha preparação para isso na última meia semana foi bastante copiosa.”

02/04La Plata, Argentina (visita à cidade/universidade).“Visita a La Plata. Cidade bonita e silenciosa, parecida com as italianas, com magníficos edifícios universitários, mobiliados no estilo norte-americano. Visita ao muito interessante museu de história natural. Cerimônia inaugural do semestre com longuíssimo discurso e apresentações musicais.”

08/04Buenos Aires, Argentina (entre La Plata e Córdoba, ele ainda está baseado em BA).“Estadia no campo em Lavajol. Renovei as energias. Formigas Don Pablo originais. Clima agradável, maravilhosa quietude. Esplêndida ideia para uma nova teoria sobre a conexão entre a gravitação e a eletricidade.”

12/04Córdoba, Argentina.“Domingo. De carro até montanhas de granito antigas, pitorescas, esparsamente arborizadas. À noite, refeição muito tediosa [oferecida] pelo governo”

13/04Córdoba, Argentina.“Sessão festiva e palestra no maravilhoso salão da universidade. Refeição do meio-dia com o novo governador da província, uma pessoa muito refinada e interessante. Com exceção dele, somente uma cansativa pletora de espanhóis, jornalistas e judeus; divertido discurso em hebraico feito por uma donzela trêmula.56 À noite, dormi no vagão ferroviário especial.”

14/04Buenos Aires, Argentina (retorno de Córdoba).“Viagem de retorno a Buenos. Com exceção de Alberini, pessoas comuns. Feliz por chegar. Estou terrivelmente cansado de pessoas. A ideia de ainda ter de permanecer por tanto tempo me oprime.”

17/04Buenos Aires, Argentina.“Fotografado mais cedo por um pintor. À tarde, penúltima palestra. À noite, recepção na embaixada alemã. Somente locais, sem alemães, pois o embaixador parece não ter ousado convidar os últimos para me ver.62 São um grupo engraçado, os alemães. Para eles, sou uma flor fedorenta; mesmo assim, eles colocam-me repetidamente na lapela.”

21/04Buenos Aires, Argentina.

“Pela manhã, recepção de muito mau gosto no hospital judaico. Coloquei aquela gente em seu devido lugar. Ao meio-dia, café da manhã oferecido por colegas mais próximos no Clube Tigre”

24/04Montevidéu, Uruguai (chegada vindo de Buenos Aires).

7 horas, chegada a Montevidéu. Decidi que estou doente. Vista de M[ontevidéu] do edifício da seguradora. Hospedado com família de judeus russos Rosenblatt. Visita do embaixador alemão. Passeio com Ras Fereida, camarada decente, negro, nervoso. Fala francês muito mal, ainda pior que eu. Tímido em minha companhia, como a maioria.

No Uruguai, encontrei genuína cordialidade, como raras vezes antes em minha vida. Aqui encontrei o amor pelo solo sem qualquer tipo de megalomania. “Após chegada com Rosenblatt e filhos, esplêndida vista da cidade e do porto a partir do edifício da seguradora.”

26/04Montevidéu, Uruguai.“(Domingo) Caminhada pela praia com o prefeito. Muito bonito, com pôr do sol. Hotel à beira-mar de muito bom gosto, construído por um nativo. À noite, Lohengrin”

27/04Montevidéu, Uruguai.

“ Dois estudantes mantiveram guarda constante a fim de que nenhuma pessoa não autorizada se aproximasse de mim. Um garçom comovente me foi designado, com quem só pude me comunicar através de gestos.

O Uruguai, um paisinho feliz, possui não somente uma natureza encantadora, com clima úmido e agradavelmente quente, como também instituições sociais modelares (proteção a mães e crianças, atenção a idosos e filhos ilegítimos, jornada de 8 horas, dia de descanso). Muito liberal, com o Estado completamente separado da Igreja. Constituição em alguns aspectos similar à Suíça”

CARTA PARA ELSA E MARGOT EINSTEIN“Estou em Montevidéu, uma cidade portuária belamente situada, já há uma semana. É muito mais aconchegante aqui que em Buenos A[ires]. A cidade é menor e mais bonita.”

28/04Montevidéu, Uruguai.“18 horas, recepção oferecida pela colônia alemã. Aconchegante e agradável, acompanhada de café. Provavelmente só os mais liberais compareceram. À noite, banquete formal organizado pelos judeus. Comissão de Imigração de Refugiados de Guerra da Liga das Nações estava presente. Sentei-me ao lado de um inglês interessante (colega de Nansen). Latzki (russo, residente de Berlim) também estava lá. Recebeu de mim uma carta de recomendação para apresentar a Gallardo.

30/04Montevidéu, Uruguai.“Pela manhã, cinema. Expedição ao Polo Sul, arquipélago australiano e um agradável filme de Shapley [Chaplin] (Pastor de almas), exibido especialmente para mim por Glücksmann. À tarde, passeio maravilhoso em um veleiro. 18 horas, recepção na Associação de Engenheiros. 21 horas, grande banquete oferecido pelo governo e pela universidade. Sentei-me ao lado do presidente e de um ministro e fui fantasticamente entretido. “Wacht am Rhein” foi tocada no lugar do hino alemão!85 Eu e o embaixador alemão rimos. As pessoas foram comoventes e não fizeram cerimônia. Mas nada acontece sem um smoking.”

02/05 – a bordo do Valdivia, rota Montevidéu → Rio de Janeiro.“O médico do navio me deu um livro de Le Bon com aforismos sobre política e sociologia. Espirituoso, mas não livre de certos preconceitos, particularmente em relação ao problema comunista. Ele argumenta como os liberais de 1850. Tampouco está livre de militarismo.88 Está ficando muito quente. Soma-se a isso a comida muito pesada e mal preparada. Durmo mal. A companhia na “mesa dos dignitários” é bem-humorada, particularmente o capitão. Eles são muito mais agradáveis que os alemães, menos pretensiosos e mais naturais. Ao mesmo tempo, têm certa sensibilidade, não são intrusivos. Todas as ideias científicas que tive na Argentina se provaram inúteis.89 O clima vai de ruim a ameno.”

03/05 – a bordo do Valdivia, rota Montevidéu → Rio de Janeiro (já próximo da costa brasileira).“Clima um pouco melhor. Muito vento, mas ele praticamente não refresca. A tranquilidade é agradável, porém. Amanhã à noite esse esplendor chegará ao fim e terei de subir no trapézio pela última vez. Com a ajuda de Deus, sobreviverei a mais dois dias de bufonaria. Em troca, haverá uma longa e bela viagem de retorno para casa. Quase já não consigo imaginar uma vida quieta e regular, em função de toda a agitação pela qual passei.”

04/05Rio de Janeiro, Brasil.“Chegada ao Rio ao pôr do sol, com clima esplêndido. Em primeiro plano, ilhas de granito de formato fantástico.91 A umidade produz um efeito misterioso. ”

05/05Rio de Janeiro, Brasil.

“Passeio pela cidade com Kohn [Presidente da Comunidade Israelita do Rio de Janeiro]. Um fanfarrão.94 Hora do almoço com sua esposa e a dama de companhia dela (?) no hotel. As mulheres são agradáveis e animadas. À tarde, encontro com alguns homens de negócios alemães. Em seguida, fui com professores até o Pão de Açúcar. Passeio vertiginoso sobre a floresta selvagem no teleférico. No topo, interação esplêndida entre a neblina e o sol. À noite, boas-vindas das associações judaicas. Em seguida, passeio noturno de carro com o muito amável, inteligente e decente rabino Raffalovich.”

06/05Rio de Janeiro, Brasil.“Por volta das 16h30, primeira palestra no Clube dos Engenheiros, em salão superlotado, com barulho da rua chegando pelas janelas abertas. Por razões acústicas, a comunicação era impossível. Pouco senso científico.98 Aqui sou uma espécie de elefante branco para eles, e eles são macacos para mim. À noite, nu e sozinho em meu quarto de hotel, aproveito a vista da baía, com incontáveis ilhas rochosas, verdes e parcialmente desnudas, ao luar.”

07/05Rio de Janeiro, Brasil.“Visita ao museu de história natural. Animais e antropologia são o foco principal. Beleza do design da coluna vertebral de uma cobra. Cultura dos índios, múmias miniaturizadas, flechas envenenadas. Magnífico jardim em frente ao museu.

Ao meio-dia, casa do professor Castro. Um macaco, mas companhia interessante: arqueólogo russo, jornalista esperto, escritora bonitinha, inteligente e meio arrogante. À tarde, Academia de Ciências. Esses camaradas são oradores fenomenais. Quando elogiam alguém, eles elogiam — com eloquência. Acredito que tal tolice e irrelevância tenham relação com o clima. Mas as pessoas não pensam assim.”

08/05Rio de Janeiro, Brasil.

“Visita matutina ao instituto de biologia. Anatomia patológica. Insetos transmissores de doenças. Trypanosoma no microscópio. À tarde, palestra na Faculdade de Engenharia. Muito calor no auditório superlotado.”

09/05Rio de Janeiro, Brasil.

“Observatório com interessantes instrumentos para terremotos. Almoço na casa de Silvamello. Muito aconchegante, com pratos brasileiros. Casa muito confortável. Fomos a pé visitar dois irmãos, fisiologistas com interessante trabalho sobre a respiração. Jantar na casa de Kohn. Pessoas comuns, mas amáveis. Grande recepção oferecida pelos judeus às 21 horas no Jockey Club. Longos discursos com muito entusiasmo e excessiva adulação, mas sinceros. Graças a Deus acabou. Faltam dois dias, que aparentemente serão agradáveis. Mas ânsia irresistível por paz, silêncio e distância de tantas pessoas estranhas. Noite novamente com Robert (a caminho de casa, voltando de Santos).”

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