Sobre o Crivo
O Crivo audita teses de grandes autoridades: desmonta a engenharia do argumento e encerra com um veredito — passou no Crivo, ou não passou.
Eu não construí isto porque um dia descobri uma mentira bem contada. Eu construí porque isso acontece o tempo todo.
Ontem mesmo eu saí, conversei com uma pessoa, depois com outra e outra. Três convicções diferentes — duas eu vi as autoinconsistências na hora; a terceira eu desconfiei da informação e fui verificar. Todas estas pessoas tinhas lido ou escutado grandes autoridades. E, como quase sempre acontece, a história era mais elegante do que verdadeira. As pessoas não acreditam apenas por ignorância. Muitas vezes, acreditam porque querem. Querem a sensação de certeza, querem um vilão simples, querem um herói pronto, querem pertencer a um time — e, para isso, aceitam trocar lucidez por conforto.
Eu percebi cedo demais que não podia delegar meu julgamento. Desde os 11 anos de idade, ficou claro: a avaliação que alguém faz do mundo vale menos do que o caminho que ela percorreu para chegar até ela. E, se o caminho é escuro — se as premissas são inválidas, se faltam evidências razoáveis, se as proposições são autoinconsistentes ou apresentam inconsistências com outras proposições mais bem corroboradas pela ciência moderna — então a conclusão, por mais bonita, é só decoração desútil ou contraprodutiva.
O Crivo existe para falar com um tipo específico de pessoa: aquela que não quer “acreditar” e não respeita autoridade vazia. Quer saber até onde é possível saber — e quer acreditar em qualquer afirmação apenas na força que as evidências autorizarem a acreditar. Gente que prefere perder uma crença a perder a verdade. Gente disposta a se reinventar, se for o preço de aproximar o pensamento do mundo real.
“Não somos filhos da autoridade. Somos filhos da dúvida, da lógica, da justiça e do dever.”
Aqui eu publicarei três tipos de texto.
- Artigos para o público amplo, com linguagem acessível e profundidade rara. Eu pego afirmações apresentadas por grandes autoridades de suas áreas — e faço a desmontagem com calma: onde a narrativa omite, onde a estatística engana, onde a tradução torce, onde a retórica fabrica a sensação de prova sem entregar prova. Eu as trato como mágica, não como mero erro. Porque o que essas autoridades fazem, muitas vezes, é um ato de ilusionismo intelectual: vestir fragilidade com linguagem de solidez; produzir convicção onde deveria haver cautela; fazer um argumento fraco ganhar ombros largos. A plateia sente ‘certeza’ e confunde essa sensação com evidência. Só que mágica não é sobrenatural; é engenharia. Há fios, alavancas, espelhos. No discurso, esses fios têm nomes: falácias, ambiguidades calculadas, recortes seletivos, inversões de ônus da prova, estatísticas maltratadas — e até autoengano. Meu trabalho é abrir o compartimento secreto e revelar o mecanismo, para que você enxergue, com nitidez, onde termina a evidência e começa a encenação. No fim, avalio com clareza se aquela visão passa no Crivo Apodíctico — e você recebe uma resposta simples: “Passou no Crivo, ou não passou?”
- Artigos técnicos, em formato acadêmico: quando a conversa exige método explícito, escrita rigorosa, exposição auditável da literatura e dos dados utilizados, matemática avançada e a coragem de mostrar a própria incerteza com números. Parte desses textos também seguirá para repositórios acadêmicos, porque verdade que não suporta auditoria não é verdade — é ilusão.
- Inovações, hipóteses raras e aprimoramentos científicos, quando não basta apontar o erro: ferramentas de autonomia intelectual, modelos de decisão, heurísticas de seleção de conceitos e estruturas que ajudam a reduzir risco na prática.
Meu objetivo não é vencer debates. É reduzir erro — porque erro vira decisão ruim; decisão ruim vira injustiça; e injustiça cobra.
Se você está aqui, é provável que já tenha entendido algo que pouca gente aceita: não é a verdade que deve se curvar às crenças. São as crenças que devem se curvar à verdade. E a verdade está sempre no horizonte: a busca incessante por nos aproximarmos progressivamente e incansavelmente de compreensões mais acuradas sobre o mundo real. O Crivo é para quem vive exatamente assim. Jornais de alto impacto, autoridades religiosas — ou mesmo científicas: ninguém e nenhuma proposição é sagrada demais para que não possa ser questionada e reavaliada pelo crivo apodíctico de um genuíno amante da verdade.